Ricardo Bins di Napoli
Da mesma forma me
surpreendia que certos filósofos, entre eles Aristóteles, Kant e Hegel,
afirmavam que certas categorias em número finito seriam suficientes para
falarmos do mundo e descrevê-lo. Outros binômios nas categorias filosóficas
encontramos tais como acaso e necessidade, possibilidade e necessidade, uno e
múltiplo, parte e o todo, vida e morte, paixão (ou emoção, sentimento) e razão,
o ser e o nada, existência e essência, essência e aparência, quantidade e
necessidade, ato e potência, finito e infinito etc.
Me parecia muita
pretenção imaginar que as categorias que se usa para definir o mundo seriam tão
poucas, pois me parecia tão limitado. Será que não existem outras categorias ou
conceitos que se venha utilizar para dizer outras coisas? E os fatos
científicos novos, digamos a bomba atômica, gravidade, as particulas
subatômicas que seriam partes de um todo, que na antigüidade era considerado
indivisível, o átomo (o indivisível).
A filosofia deu origem a
muitas áreas do conhecimento seja na antigüidade ou na modernidade. Por
exemplo, a matemática (geometria), a lógica, a física, a química, a psicologia,
a história, a estética, a sociologia, a antropologia e a ciência política. Este
movimento de criação de novas áreas do conhecimento apoiado em novos métodos de
investigação significou, por um lado, o encurtamento do domínio da filosofia
como uma area de conhecimento que não buscaria por métodos empíricos descrever
mais apropriadamente o mundo.
Muitos consideram que a
filosofia é um metadiscurso sobre o mundo que busca falar dos mesmos objetos
que a ciência investiga, mas entretanto, por meio de questões fundamentais do
tipo o que é o mundo, o que é o bem moral, o que é o conhecimento, o que belo,
o poder, a vida, o argumento válido e a verdade, entre outras.
Cada pergunta destas foi
o centro da investigação das diferentes áreas da filosófia desde que a
filosofia occidental surgiu, que chamamos respectivamente de Metafísica, Ética,
Epistemologia, Estética, Filosofia Política, Lógica. Mas se a filosofia até
agora em suas diferentes áreas não se utiliza de métodos empíricos como ela
procede? Qual é o seu método de investigação? Ela utiliza-se da linguagem e das
intuições do filósofo. Ela utiliza-se também de um métodos que não é único pois
há diferentes, tais como: o fenomenológico, o transcendental, o hermenêutico, o
dialético e o analítico.
Há alguns anos surgiu,
entretanto, a necessidade nova de uma interpretação do que seriam os objetos de
investigação da filosofia. A filosofia agora parece ter que justificar sua
existência frente aos avanços da ciência e concorreria em certos momentos com o
próprio conhecimento científico.
Abril de 2015
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